
O Português Falado no Brasil,_Segunda Parte
- RICARDO GOMES RODRIGUES
- 25 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
O Português Falado no Brasil_ Segunda Parte
A língua e suas consequências no uso da linguagem é antes de mais nada uma questão de clareza na transmissão da mensagem entre o (emissor) e o (receptor).
Desse modo, por suposto, não haveria diferença entre o uso da norma culta ou popular nas necessidades de comunicação no uso da linguagem. Todavia existem.
Por suposto ainda, não haveria diferenças entre o português falado em Portugal e no Brasil, já que tratados internacionais estabelecem regras de mudanças para que a língua portuguesa seja a mesma, guardadas as peculiaridades fonéticas, étnicas e usos tradicionais no uso da linguagem, que no final ou culta ou popular tem como objetivo principal a clareza no ato de comunicação entre emissores e receptores.
A questão então, do uso da linguagem, no caso a língua portuguesa, parte da ideia inicial da força que o verbo exerce nas necessidades de comunicação.
“E, fez-se a luz...” ou “E, se fez a luz...”
O verbo comanda o pleno entendimento no ato de comunicar pois que representa a ação, e por vezes sozinho define uma mensagem fragmentada.
Para! Anda! Corra! Levanta!
O verbo e suas formas imperativas, por vezes dão plena compreensão do que se quer dizer.
No segundo momento, o ato de comunicar inicial requer complementos para perfeita clareza no que se quer dizer, daí as necessidades de sujeito (eu), verbo e predicado, que tem como objetivo dar entendimento a fragmentação inicial na comunicação que balbucia uma intenção (verbal) sem complementos.
Se o verbo comanda a ação o pronome lhe dá personalidade própria (eu, tu, ele) de forma direta (reta), ou oblíqua (me, mim,comigo, ou te, ti contigo).
Então no final, o ato de se comunicar passa a ser um duelo entre o verbo (a ação) e o pronome (a personalidade de quem atua) que em certa medida é intermediada pelas preposições e conjunções que atenuam, acentuam e se inclinam no duelo da comunicação para um lado ou outro; ora em direção ao verbo (a ação): ora em direção ao sujeito (quase sempre o pronome), formando um encadeamento na linguagem básica do sujeito, verbo e predicado em orações coordenadas, subordinadas, dando explicações ou mediando entre o sujeito e o predicado.
Ao se montar as orações, para além do predicado, entra em jogo o objeto, ou o foco principal no ato de se comunicar que ora direto como em “ele ama a Deus”, ou indiretamente como em informei-lhe a senha”.
O processo de comunicação no uso da linguagem vai se complicando na medida em que para além do sujeito, verbo e predicado e objeto ( direto ou indireto) os pronomes, e preposições passam a atuar na regência que os verbos (gostar de) ou os nomes (paixão por) exigem através do uso dos substantivos (nomes), adjetivos (explicações), verbos e advérbios em ações intermediadas ou modificadas por preposições como em “ele correu rapidamente”.
Assim, o ato de “comunicar-se”, ou ainda de “se comunicar “ sofre interferência no sentido daquilo que se quer dizer.
As regências tanto verbal como nominal pendem tanto para um lado como para outro na compreensão daquilo que se quer dizer.
Nesse sentido não existe diferença entre norma culta ou popular, mas variações naquilo que se quer dizer e ser bem compreendido.
”Isso é prá tu”, quando o pronome reto age indiretamente em vez de para ti, ou ainda ”Me traga o livro” em vez de ”traga-me o livro”.
Nesses dois casos, a questão para além da boa compreensão do que se quer dizer é a colocação pronominal que enfraquece o verbo como em “Me traga o livro”.
Nesse caso, o pronome oblíquo torna a ação do verbo (oblíqua) “fraca”.
Nos casos de xingamentos isso fica bem claro quando se diz ”Dane-se” e nunca ”Se dane”, ou ainda a forma também usada de ”que se dane” quando a ação conjunta de um encadeamento pronominal atenuam a perda na ação verbal, quando comparado com ”Dane-se”.
No caso anterior de ”Isso é prá tu” a força no ato de comunicar está no predicado nominal comandado pelo verbo ser (”é”) que qualifica o sujeito pronome demonstrativo “isso”.
O “tu”, aqui, reflete um objeto oblíquo que tenta ser reto, com o objetivo de ser mais claro dando uma força (indevida) ao verbo de ligação (”é”) percebido aqui por quem fala como fraco já que é verbo de ligação.
Já no caso de “me chama pelo telefone”, o caso é inverso do anterior.
Aqui quem fala enfraquece o verbo, já que fica indeciso sobre o uso de um pronome reto (eu, ou você que não tem cabimento nessa construção) em vez do uso do oblíquo que dá mais força ao verbo no uso correto em “Chama-me”.
No caso do português falado no Brasil o enfoque no uso da linguagem é a clareza na comunicação, e evitar-se ,(ou se evitar) cacofonia, ou orações difíceis de se pronunciar como em ”Cadê ela?”
Ou ainda, “fi-lo porque qui-lo” (cômico), ou quando o pronome vai para o fim do verbo, como em “evitar-se”, preferindo-se usar um elemento de ligação (e) para atrair o pronome como em “se evitar”, ou ainda evitando o pronome como em “evitando-se” ou evitar-se, o que no final muda (ligeiramente) o peso que a regência verbal exerce na oração.
Então: “Isso é prá tu. Me chama em caso de necessidade”.
Observe como a ação verbal se altera em “Isso é para ti. Chama-me em caso de necessidade”.
Como o uso preferencial no Brasil é pelo pronome de tratamento você (terceira pessoa). Nesse caso, quem fala usa o tu para dar força ao verbo de ligação, atenuando o “chama-me”, usando “me chama”.
Pelo Professor Ricardo Gomes Rodrigues
São Carlos, sp 25 de dezembro de 2025
















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