
Guerra ou Paz?
- 21 de jun.
- 4 min de leitura
Estado de Guerra e Paz
O estabelecimento de um Estado de Guerra acontece devido a impossibilidade de se definir guerra ou paz.
A diferença entre um estado de guerra; ou paz é a incapacidade de se definir os limites do uso militar com o propósito de se estabelecer “governança”, que é antes de mais nada a definição de como uma sociedade civil define um governo estável de maiorias.
Na medida em que se estabelece um Estado intermediário entre guerra e paz, está claro que há um desgoverno que define uma arbitrariedade entre o uso indiscriminado da força militar para se definir objetivos políticos, obliterando a composição de um governo estável de maiorias já que a sociedade civil, que define políticas públicas e governança estão atadas a objetivos militares vagos.
O estado latente de guerra que se estabelece quando uma “governança” está impossibilitada de definir políticas públicas devido as pressões prementes dos objetivos militares, por isso nem governam, nem mandam, impossibilitados de definirem governos estáveis de maiorias, criando desse modo, um Estado intermediário entre guerra e paz.
Esse estado intermediário, cria um limbo de “desgovernança” em que é impossível se definir claramente o que é poder “civil” ou “militar”, decompondo a legitimidade do próprio governo da “maioria”, que passa a ser secundário diante da magnitude em que os conceitos militares vagos se impõem sobre o governo e o próprio Estado Nacional, o qual passa a ser “deles”, e não dá maioria.
O Estado de Guerra

Um estado de guerra se estabelece quando objetivos militares claros entram em choque com objetivos políticos, definindo um estado de ameaça à segurança do próprio Estado e suas instituições, que tem como objetivo destruir seus elementos mais básicos de defesa e segurança, redefinindo em última análise, os limites tanto da soberania nacional quanto de seus perímetros mais elementares de defesa e segurança.
A guerra é essencialmente uma ameaça a esses limites entre soberania nacional e segurança, quando o uso das forças militares são essenciais para garantir suas fronteiras e seus perímetros mais básicos de segurança.
A definição dos limites desses perímetros básicos de defesa é o que cria um estado de guerra, e quando a definição desses limites se expandem ou contraem com objetivos essencialmente políticos vagos é quando passa a existir uma dicotomia entre guerra e paz.
Os Dilemas entre Guerra e Paz

Passa a existir uma dicotomia entre Guerra e Paz quando objetivos políticos obliteram objetivos militares vagos, e vice versa, devido a impossibilidade clara de se definir os limites mais básicos do perímetro de defesa entre soberania nacional e segurança do Estado, já que seus limites de fronteiras estão sendo; ou constantemente alterados; ou obliterados por questões de ordem essencialmente política.
Se a definição das fronteiras de um Estado Nacional passa a ser de ordem essencialmente política, mutante e mutável, perde-se de vista o histórico desses limites, tanto de como ele exerce sua soberania, quanto da segurança em que esse Estado Nacional define quais são seus limites históricos.
Se a história presente do Estado não é capaz de definir claramente seus limites; é por que esses limites através do tempo vêm mudando, criando uma dicotomia entre sua história passada, e os limites desses perímetros de defesa, quer seja pela ideia de um Estado sem limites futuros; ou por que tenta resgatar históricos perdidos no tempo.
Quer seja por uma razão ou outra, na medida em que o Estado Nacional perde de vista e perspectiva os objetivos que estabeleceram os limites históricos de suas fronteiras, e portanto os perímetros mais básicos em que exerce soberania e defesa, está criado assim, um dilema entre Guerra e Paz.
Guerra é Guerra!

O dilema entre guerra e paz, cria outros dilemas que interferem no estabelecimento de uma governança, devido a impossibilidade da sociedade civil ser capaz de definir um governo estável de maiorias, que passa a estar sujeito às pressões de um permanente Estado de guerra, devido as constantes mudanças de como se definem os limites históricos de suas fronteiras, e de seu perímetro de segurança e defesa nacional.
Assim, a sociedade civil perde de vista os objetivos de se estabelecer um governo estável de maiorias, devido as premências de objetivos militares mutantes e mutáveis, que constantemente passam por cima das maiorias, criando governos instáveis que procuram legitimidades impossíveis de serem alcançadas para contornar o fato de que não representam maiorias, mas sim objetivos militares (vagos).
Como a “governança” deixa de ser o governo das maiorias, se dissolve o poder civil, impondo-se um poder militar com objetivos essencialmente políticos.
O estabelecimento de um poder militar com objetivos políticos cria um estado de guerra nunca declarada para a conveniência de um Estado em que não existe um histórico de fronteiras claras e bem definidas, já que tem ou ambições políticas expancionistas; ou por que está a procura permanente de uma história de fronteiras e soberania perdidas no tempo.
Dessa forma, um Estado sem história de fronteiras estáveis não é capaz de definir fronteiras e segurança nacional claras, incluindo por vezes, em seus objetivos de segurança nacional, e definição de perímetros de defesa outros Estados vizinhos, criando um estado permanente de conflitos que justificam guerras, num ciclo vicioso entre intervenções militares com objetivos políticos, e o estabelecimento de governos civis fraturados sem maiorias, resultando em guerra sem objetivos militares claros.
No final, esse estado de guerra que se cria diante de objetivos militares “políticos”, resulta em ações militares que obliteram os próprios objetivos essencialmente militares, resultando em guerras perdidas, ou vitórias inalcançáveis, já que ações militares estão permanentemente sendo pressionadas pelos dilemas entre guerra e paz, reverberando contra o estabelecimento de governanças estáveis e governos de maiorias.
Pelo Professor Ricardo Gomes Rodrigues
São Carlos, SP, Brasil, 21 de junho de 2026

























Comentários