
Cogito ergo sum
- 11 de jul.
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Atualizado: 12 de jul.
As reflexões sobre ser humano é a base da existência de estar no mundo, quando o subjetivo de ser se conjuga com com o objetivo de estar aqui é agora.
Se cogitar (de cogito) flexiona ser (subjetivo) e estar (objetivo), a questão da nossa existência é o eterno questionamento sobre a realidade que impulsiona a ciência dos objetos.
Ciência é a reflexão não apenas sobre a realidade do estar no mundo do aqui e agora, assim como também sobre a verdade que limpa aparentemente as dúvidas entre a objetividade e a subjetividade que permeia a existência do objeto e lança dúvidas sobre as verdades científicas, que torna o impossível no possível.
A causa da ciência das verdades que objetiva a realidade extremada, teatraliza a realidade nos fazendo crer na existência de um universo concreto com início, meio e fim.
A ciência em sua ânsia pela verdade trapaceia no jogo, nos impondo uma realidade que não é mais do que uma bolha racionalista imersa num mundo de dúvidas que é o que na verdade lançou o cogito a vir a ser.
A dúvida é a cogitação sobre a verdade e que paradoxalmente é, ou deveria ser, a base da pesquisa científica, acaba sendo distorcida pelo materialismo com objetivos políticos que torna a realidade num objeto a ser conquistado.
Dessa forma, o universo cria corpo de um objeto que materializa a realidade sem dúvidas, nos levando a crer numa certa expansão romântica do aqui e agora em direção ao que vemos para além de um céu estrelado a ser conquistado sob o lema: “hoje o sistema solar; amanhã a via láctea”.
A realidade assume, então, um certo grau de romanticismo que impulsiona o militarismo, fazendo-nos crer que dúvida é misticismo, já que a estratégia da guerra é tomar e conquistar, ocupando territórios.
Sob esse ponto de vista, não há dúvidas, e matar não passa de uma casualidade da guerra que obviamente exclue os “seus” para infligir danos aos “deles”.
Percebam que o militarismo quando assume a governança de uma sociedade, torna-se imune às dúvidas e as consequências, já que qualquer questionamento levará, obviamente a reflexões morais não apenas sobre vida e morte, mas também sobre ser ou não ser, tornando a máxima objetividade em “materialismo histórico”, transformando a ciência social em um campo de batalha, e justificando a mortandade como “casualidades” de guerra que se inflige aos “outros”, não aos “seus”.
O materialismo histórico é a imoralidade que através da máxima objetividade da racionalidade que combate o “misticismo”, abre caminho para que se aceite a guerra como destruição “criativa”, que destrói mitos (mistificação) e tradições em prol da verdade científica revolucionária e modernizadora.

Existe, obviamente, uma tremenda dose de romanticismo nesse pensamento militarista (heróico) de sacrifício através da violência, que tenta encontrar justificativa na “moral” modernizadora, tornando o aqui e agora num transe de mudanças contínuas operando num tempo acelerado.
O militarismo modernizador (heróico) através de sua visão de um materialismo histórico, destrói tradições e mitos, colocando no lugar o frenesi da “realidade” mutante e mutável, em transe permanente num tempo acelerado que se costuma chamar de “revolução permanente”.
Na tentativa de destruição dos mitos e da mistificação, além das tradições históricas, a leitura dessa ascensão humana ao processo civilizatório, torna a realidade numa personalidade sem carácter moral, já que a ideia de moral está intimamente associada a permanência através dos tempos dos mitos e tradições, que “mistificam” a realidade em uma transmissão oral de nossa história, que assim nos mostra de onde viemos e para onde vamos, criando noções de ética e moralidade pública.
A revolução permanente imposta pelo militarismo do materialismo histórico na sua “tentativa” modernizadora cria um tempo veloz, transformando a realidade um vórtice alucinado de construção e destruição continua que arrasa com tradições e mitos, garantindo, no final das contas, que existe uma realidade tão objetivo e concreta que acaba por destruir as narrativas de nossa história sem mitos e tradições, e portanto, sem ter o que transmitir, a não ser guerras, e revoluções em um estado de destruição permanente.

Então, voltando ao início, assim nos tornamos sob o governo do materialismo militarista aquilo que cogitamos em ser, sem nunca encontrar o estar na realidade do aqui e agora, que é (ou era) ancorado pelas narrativas das tradições históricas e seus mitos engrandecedores e moralizadores.
Pelo Professor Ricardo Gomes Rodrigues
São Carlos,sp, 11 de julho de 2026

























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