
A volta do Brasil

Esse mapa demonstra o esforço dos Portugueses em controlar esse imenso território na América do Sul.
A razão desse sucesso era o controle que a marinha Real Portuguesa tinha em navegar, quase que dando a volta pelo Brasil inteiro.
Isso tinha dois aspectos estrategicos:
primeiro, as cidades da costa brasileira representavam posição de latitude e longitude numa época que não havia como medir latitude, assim desde o Rio até Natal, Belém e Macapá (em zero graus no equador) era possível navegar em segurança no Atlântico Sul, sabendo exatamente onde virar a oeste para passar por baixo do cabo da boa esperança, aproveitando os ventos que “empurravam” para África
O outro aspecto, estratégico era a capacidade da marinha portuguesa em controlar um território interior imenso, dando “a volta” desde os rios guaporé, madeira, Amazonas, costa brasileira, subindo pelo prata, Paraná e Paraguai
Os espanhóis não entendiam bem essas manobras estratégicas da marinha portuguesa que queria incorporar a “banda oriental do Rio Uruguai a esse “controle” territórial
Aí então, os espanhóis gritaram e disseram um imenso “não” aos portugueses, criando a questão Cisplatina que viria a se tornar o Uruguai de hoje
Fica a lição dessas estratégias portuguesas
toda navegação hidroviária sofre com estiagem
Imagine a imensa dificuldade que foi a guerra do Paraguai, toda travada nos rios Paraguai e Paraná, durou 5 anos
Mas, até o século 19, a questão da navegação do Rio Paraguai era estratégica para o Brasil pois representava a penetração, e controle que exercíamos sobre a região amazônica
Por causa disso pudemos controlar a Amazônia de hoje
O plano viário nacional da década de 1959 mudou esses conceitos, mas ainda hoje o controle estratégico sobre a Amazônia depende dessa nossa capacidade de controlar essa imensa “volta” hidroviária sobre o território brasileiro
Veja o mapa, essa era, e ainda é a imensa “volta” que define o controle que temos sobre o território brasileiro desde os portugueses e nos projeta no Atlântico Sul, que um dia sua navegação estratégica era “controlada” pelos portugueses, então super potência de sua época
Uma das razões para os holandeses não terem dominado o Nordeste foi esse controle que a marinha portuguesa tinha sobre essa “volta” do Brasil que eles desconheciam.
Isso prova que o Brasil não era uma colônia, mas sim um território português
Tanto Portugal como Espanha definiram territórios próprios, e não exatamente colônias como Inglaterra, Holanda e França definiram na África e na Ásia
No continente Americano, os conhecimentos e habilidades de navegação permitiram tanto a Portugal quanto Espanha a definirem soberania nacional tanto sobre o Brasil como sobre os países de fala espanhola, pois que de fato havia um controle territorial por sobre espaços culturais, étnicos e religiosos que nunca os países europeus lograram estabelecer na África e na Ásia onde houve e, ainda há, fortíssima resistências culturais, étnicas e religiosas que aqui no continente Americano Portugal e Espanha conseguiram estabelecer uma “amálgama cultural sem precedentes, que nos constituíram em nações com “raízes profundas” ibéricas
Esse fato é único em relação as tentativas europeias de colonização na África e Ásia onde não conseguiram estabelecer essas mesmas relações de cidadania cultural que unisssem países em nações
Nunca fomos colônia de Portugal e essa “volta” do Brasil prova isso
A "volta" do Brasil como elemento de defesa nacional definiu os limites de segurança do Império Português, do qual herdamos como Império do Brasil suas estratégias de defesa e geopolítica no Atlântico Sul
Um aspecto interessante dessa estratégia militar portuguesa foi contornar as dificuldades impostas pelo relevo Brasileiro, que impedia a comunicação hidroviária no sentido norte-sul devido as configurações geográficas das condições geológicas de sua bacias hidrográficas na definição dos cursos de seus diversos rios da diversas regiões, os quais não se comunicavam, estando por essa razão contidos dentro dos limites de suas bacias hidrográficas coletoras do estravazamento de seus volumosos rios.
Esse fato impunha que os movimentos hidrográficos ficassem contidos sem estabelecer limites claros para a definição de linhas de defesas entre as bacias hidrográficas para a consolidação, controle, infiltração e penetração do território interior do Brasil
Por exemplo: a bacia do Rio Paraná não se conecta ao norte com a bacia do Tocantins-Araguaia, a menos através de Barra do Garças no Araguaia, que faz a conexão com o Tocantins em direção à Marabá, e mais a oeste com Estreito em direção à Belém, e o delta do Amazonas que possibilita; ou em dar-se a volta pela ilha de Marajó em direção a Macapá, ou pelo contorno dos "estreitos" de Marajó abre-se caminho tanto para conectar com Macapá, quanto para entrar na hidrovia do Amazonas
O segundo aspecto dessa “volta” hidroviária do Brasil era que pela hidrovia do Amazonas concentrava-se em Manaus as linhas de defesa da Amazônia onde há o entroncamento entre os rios Madeira em direção à Porto Velho, e Rio Branco em direção à Boa Vista em Roraima, fazendo comunicação para conter o expansionismo Inglês, holandês e francês que pressionavam Portugal através de seus territórios das Guianas
Pelo Rio Negro desde Manaus, controlava-se todo o território noroeste amazônico em direção ao pico da neblina, e através do Solimões extendia-se os domínios portugueses até a tríplice fronteira Brasil, Colômbia,Peru, e para sudoeste através dos rios Purus, Ipixuna e Javari, definiam-se os limites portugueses no Peru e na Bolívia de hoje
Observe-se que essas estratégias de navegação hidroviária não contemplavam uma comunicação norte-sul, ficando contida através do vale do Rio Madeira e Guaporé, não atingindo Cuiabá já no contexto da Bacia do Rio Paraguai, este sim correndo no sentido norte-sul fazendo foz no Paraná em direção ao Prata e ao rio Uruguai na região Cisplatina
Essa “volta” do Brasil definida pela Marinha Real Portuguesa conectava todos esses pontos, apontando para o Atlântico Sul, definindo os limites do Império e da capacidade de infiltração no território interior, assim como, bloqueavacas possibilidades de invasões por mar
O terceiro aspecto dessa “volta” do Brasil era estabelecer uma relação de defesa entre o escudo nordestino, e a região sul em direção ao rios da Prata-Paraná-Uruguai, fechando a brecha que o Rio São Francisco abria nas muralhas da serra do mar, favorecendo a penetração e infiltração em direção a Minas e São Paulo
Ao sul, o rio Uruguai desde as Províncias do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande, definia-se a província Cisplatina como ponto nevrálgico dessa comunicação de defesa norte-sul entre as bacias hidrográficas do território Brasileiro até a Amazônia via Prata-Paraná-Paraguai
A questão sobressalente continuava a ser a vulnerabilidade do “escudo” nordestino, limitado a oeste pelo rio Mearim em São Luís do Maranhão até sua base entre Alagoas e Sergipe no estuário do Rio São Francisco
Essa “vulnerabilidade” foi observada pela França ao invadir São Luís, e os Holandeses em Salvador e Recife na Bahia e Pernambuco respectivamente. Pontos esses, desde São Luís até Salvador, a descoberto das muralhas da Serra do Mar
Já a invasão francesa no Rio de Janeiro foi totalmente mal sucedida já que a Serra do Mar impedia a infiltração e penetração no território do Brasil-Portugal de então
O mesmo não acontecia desde o Maranhão até a Bahia, por isso a invasão Holandesa foi longa e custosa
Pelo Professor Ricardo Gomes Rodrigues
São Carlos, sp, 13 de setembro de 2026
Veja a questão Cisplatina em:

























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